Enfim uma TI sustentável

 

Ama e faz o que quiseres!

Santo Agostinho

Roberto Francisco de Souza (*)

 

Já não sei ao certo o que é sustentabilidade e explico, antes que o leitor irado inicie um twitaço a me desalojar desta coluna.

O público me consulta e quer saber se sustentabilidade em tecnologia da informação é somente cuidar para que os resíduos da tecnologia não poluam o meio ambiente. Argumento que não. Recolho textos sobre a TRIPLE BOTTOM LINE a comprovar que a sustentabilidade vai a muito mais do que isso, mas de pouco adianta. O senso comum me condena e os gestores mais pragmáticos de TI correm a descartar seus equipamentos de forma ecológica e a receber as honras da sustentabilidade para seus negócios. Nem pensam se existe mundo sustentável além desta prática.

Particularmente as empresas que têm na tecnologia da informação o cerne de seu negócio sofrem com o conceito. Para muitas delas, pouco importará se não forem lá um lugar muito bom para se trabalhar, desde que plantem árvores que despoluam suas consciências. Não é bem assim!

Se existem empresas, mineiras inclusive, que desenvolvem bem estes programas voltados para a conservação do bioma e ainda pensam nas pessoas, também é verdade que muitas organizações de tecnologia são consideradas sustentáveis porque desenvolvem e distribuem à sociedade tecnologias inclusivas, capazes de transformar a realidade de populações inteiras. Não será preciso que limpem sozinhas os oceanos e a órbita da terra. Se fizerem muito menos que isso vão contribuir demais para um mundo melhor  e terá sido através tecnologia!

Se criarem novas vagas de emprego, novas profissões e incluírem mais pessoas no mundo do conhecimento terão cumprido um papel importante.

Se nos ajudarem a sermos mais democráticos, votarmos melhor, decidirmos melhor e mais frequentemente o futuro de nossas cidades, estarão mesmo sendo essenciais para a vida no planeta.

Já disse que deviam soltar os bandidos e prender os fiscais, tanto que escuto prefeitos aceitarem crimes ambientais porque, vejam vocês, não têm como fiscalizar. Quanta infração a códigos de postura urbana não é cometida em nome dessa ignomínia!

Pois está aí a tecnologia, centenas de milhares de celulares baratos, equipados com câmera fotográfica e torpedos que, usados corretamente pelo cidadão, podem se tornar instrumentos eficazes de fiscalização e multa para aqueles que só desafiam o bem comum porque não temem serem pegos.

Vão me dizer que faço a apologia do “grande irmão”, sei disso, mas a crítica só valerá se a tecnologia for usada para controlar nossas vidas, não para melhorá-las.

Pessoas e empresas que trazem em seu DNA uma visão da tecnologia para produzir o bem comum podem até jogar fora suas pilhas alcalinas em locais apropriados, mas não são sustentáveis principalmente por isso. Elas carregam aquele espírito de vida que habita as almas de bem e, para estas almas, como nos propõe a boa armadilha de Santo Agostinho, a ordem está dada: ama e faz o que quiseres!

 

TECH NOTES  

Conheça empresas de TI que desenvolvem projetos de sustentabilidade:

1.      Carros que falam: uma alternativa à internet. Clique aqui!

2.      Sua geladeira te segue no twitter. Clique aqui!

3.      O futuro das TVs conectadas à internet. Clique aqui!

Software que polui

 Roberto Francisco de Souza

“Sua atitude sustentável diante da tecnologia é perguntar-se sempre se uma boa faxina nos arquivos de seus equipamentos seguida de uma limpeza ainda maior nas suas expectativas não vai contribuir para que aquele aparelho dure mais um ano que seja, adiando a data em que vai virar peça de museu ou de aterro sanitário.”

Você pega seu celular de última geração, seu objeto de desejo, e entra na loja mundial de softwares da marca em busca do mais novo programa que vai tornar o aparelho um sucesso ainda maior nas reuniões executivas ou nas rodadas de sábado à noite.

Umas poucas clicadas e já está baixando o aplicativo “hit” do momento, aquele que aparece na página de abertura da tal loja virtual, convidativo e prometendo mudar a sua vida. É! Aquele mesmo que custa tão barato e que você vai experimentar para ver o que é que faz e se não gostar deleta depois e acaba esquecendo. Lembrou?

Uns segundinhos mais tarde vem a decepção com a descoberta de que seu mais novo tesouro requer uma nova versão de sistema operacional e que a tal versão só vai estar disponível no próximo modelo de hardware, brevemente disponível nas boas casas do ramo. É! Aquele “novo” modelo que vai se parecer em tudo com o atual, mas que o fabricante jura que vai rodar um segundo mais rápido, tirar fotos um monte de pixels mais perfeitas e tocar um milhão de arquivos MP3 contra os pobres quinhentos mil que o antigo tocava. E você nem se lembra da última vez que tirou foto com aquilo nem quando teve tempo de ouvir mais que vinte músicas seguidas na mesma tarde.

Vai daí, certo de não poder ficar para trás na corrida da tecnologia, você põe seu aparelho à venda nos sites de usados e sai em busca de uma nova compra, numa operação típica de um mundo que só consegue compreender a lógica do crescimento da economia pelo consumo, nunca da felicidade.

O terceiro e último passo na sua cadeia de más notícias é a descoberta de que o aparelho velho vale nada ou quase nada. Afinal, quem se dispuser a ficar com ele vai ter que sobreviver se sentindo um peixe fora d´água, atrasado no seu tempo e com a galera da rede social zoando a mil, como eles mesmos diriam. Isso, convenhamos, tem um custo!

Desanimado, você nem vende o aparelho. Guarda ali, na gaveta de casa junto com trinta carregadores de modelos diferentes, enquanto espera, ansioso, o carteiro trazer sua nova aquisição porque, acredite, quem traz seu celular novo ainda é um carteiro.

Conclusão: o aparelho era ruim? A marca não merecia confiança? Você foi enganado? Um pouco de cada coisa e a certeza de que aquele dispositivo rodava software que polui! Isso mesmo, software, se você não sabe, também pode poluir e de muitas maneiras.

Quando você junta emails em sua caixa postal ou aquele programinha que baixou uma vez para Assistir o filme pirateado que ganhou o Oscar, quando instala um browser para testar e ele instala junto toda sorte de tralhas, tudo isso vai “lotando” sua máquina. Ela vai ficando lenta, lenta, começa a travar e logo aquele “amigo” sugere que você compre uma nova. Se o seu amigo for profissional de suporte técnico é bem capaz de jurar que o problema é mesmo seu. Afinal, ele tem uma máquina i-gual-zi-nha e ela roda que é uma beleza…

O seu disco que não cabe mais nada porque aquele “joguinho” guarda seus últimos resultados com imagens a cores e efeitos “slow motion”, o tal programa de um dos maiores fabricantes de software do mundo que resolva atualizar-se todas as madrugadas para a mais nova versão que você nem sabe o que faz e começa a travar seu computador, a novidade do browser que promete a mais perfeita experiência de uso e gasta o dobro de memória para isso, cada uma destas maravilhas de código polui um pouco mais o mundo.

Sua atitude sustentável diante da tecnologia é perguntar-se sempre se uma boa faxina nos arquivos de seus equipamentos seguida de uma limpeza ainda maior nas suas expectativas não vai contribuir para que aquele aparelho dure mais um ano que seja, adiando a data em que vai virar peça de museu ou de aterro sanitário. Enquanto isso não acontece, prepare o bolso porque acabei de ler que seu celular, e não importa qual seja ele, acabou de ser superado!

TECH NOTES

Reflita mais sobre economia de consumo, eletrônica de consumo e software que polui:

1. Comprar, descartar, comprar. Clique aqui!

2. A história das coisas – eletrônica. Clique aqui!

3. Três coisas que poluem o meio ambiente e você nem sabia. Clique aqui!

Um prêmio para a boa gestão de TI

Gente de TI também precisa ter amor à Natureza

No mesmo mês em que a americana Apple decidiu que seus computadores não precisam mais do selo verde da EPEAT, o Prêmio brasileiro “Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”, nosso Oscar da Ecologia, inova e lança a categoria de Sustentabilidade em TI, em parceria com a Sociedade dos Usuários de Informática e Telecomunicações de Minas Gerais, SUCESU MINAS.

Se alguns dizem que a decisão da Apple é calculada porque somente parte de seus clientes exigem o selo, como a cidade de São Francisco, EUA, o Prêmio Hugo Werneck dá um passo importante para formar a opinião do mercado comprador de Tecnologia da Informação na direção da sustentabilidade.
Por aqui os exemplos ainda são escassos. Pressionados pela necessidade de resultados, nem sempre a questão da sustentabilidade é posta como quesito para a decisão da tecnologia de escolha pelos “Chief Information Officers”, os CIOs. A SUCESU MINAS pensa diferente: acaba de lançar a INFORUSO 2012, seu maior evento anual, com o tema “O valor da TI para o negócio”.

Se a tecnologia quer mesmo representar valor, tem que começar a pensar no crescente exército de consumidores que se preocupam com a poluição que os equipamentos descartados causam ao meio ambiente ou que mesmo em uso, consomem mais energia e rodando softwares pouco otimizados.

O Prêmio de Sustentabilidade em TI não se destina somente a fabricantes. A exemplo da cidade de São Francisco, ele também se destina a premiar iniciativas de clientes que já cobram de seus fornecedores as estratégias de sustentabilidade em suas propostas. E vão além: pedem que esses fornecedores tenham uma sustentabilidade ética no fornecimento de seus produtos e serviços, setor onde o trabalho irregular é uma realidade.

Ele é também para aquelas organizações que se preocupam com a universalidade do acesso e com a qualidade do conteúdo entregue à população pela WEB e ainda para aquelas que usam a TI para resolver problemas sociais de uma forma inovadora.Com esses focos, não há espaço para as empresas ou CIOs que julguem que o momento ainda não chegou, que o valor da tecnologia da informação para seus respectivos negócios ainda não precisa incluir o valor para a vida e para o meio ambiente. A estes só posso dizer que estão errados e não temos mais tempo!

Sem dúvida, esta é uma oportunidade para que o Hugo Werneck e a SUCESU MINAS encontrem os exemplos entre os que vendam ou comprem tecnologia. É o momento em que se poderá provar que, cada dia mais, o risco de causar danos à natureza é mesmo um risco calculado, mas o resultado deste cálculo é uma perda certa de lucro e já começa a incomodar.
Foi mesmo o caso da Apple: preferiu evitar o azar de uma sexta feira, 13 de julho e, neste dia, voltou atrás e comunicou que todos os seus produtos voltarão a ter a certificação EPEAT. Lição dada pelo mercado, lição aprendida!

E, se nenhum destes argumentos servir, olhando o maravilhoso canário da terra, símbolo de um país inteiro, escolhido para encantar o prêmio 2012, a gente lembra que profissionais de TI também precisam ter coração, sensibilidade e, principalmente, amor à natureza. Que comecem a provar isso!

TECH NOTES

Saiba mais sobre o assunto:

1. A posição da Apple. Clique aqui!

2. Uma cidade que pensa em TI Sustentável. Clique aqui!

3. O que é a EPEAT. Clique aqui!

4. A Apple reconsidera. Clique aqui!

5. Conheça a SUCESU MG. Clique aqui!

Aprender a desfazer

Tecnologia de verdade é aquela que

tanto cria soluções novas para as questões da vida,

quanto resolve os problemas que criou para ela.

O mundo tem aprendido que desfazer pode ser bem mais complicado que fazer. Pode ser mais difícil desfazer o aquecimento global. Pode ser impossível desfazer a destruição de uma floresta. Pode ser bem complicado desfazer o desaparecimento de uma espécie.

No campo da tecnologia, entretanto, ainda estamos engatinhando. Quem não terá em casa um equipamento eletrônico antigo que não sabe a quem dar porque ninguém quer, nem onde descartar porque não há um local apropriado e muito, mas muito menos, desmontar, porque quase nunca aprendemos a desfazer, de maneira econômica, aquilo que fizemos em tecnologia?

Funciona assim: quando um equipamento fica velho, pode ter muita riqueza dentro dele para ser reaproveitada. Com a ajuda da internet, você vai conseguir estimar quanto tem de plástico, vidro, metais comuns e preciosos até com boa aproximação. Feitas as contas, descobre-se rapidamente três grandes verdades da tecnologia de descaracterização de equipamentos:

1)      Sem escala não há negócio. Não estamos falando de desmontar um celular, mas milhares deles, descartados todos os dias porque não “servem” mais;

2)      O custo em tempo para desmontar o equipamento precisa ser muito menor que o valor que houver nele, caso contrário, não valerá a pena;

3)      É preciso aproveitar tudo o que houver no equipamento para que a desmontagem seja, de verdade, rentável e não agrida o meio ambiente.

O nome da matéria que trata do assunto? Eco Design ou Design Ecológico e, no Brasil, Universidades como a de São Carlos fazem um belo trabalho a respeito. Gosto de definir o assunto como a arte de projetar coisas, pensando em desfazê-las de forma simples e não agressiva, quando não forem mais úteis.

Como um exemplo vale mais que mil parágrafos, vou contar uma história. Corriam os idos dos anos noventa. Duas da manhã, eu virava uma noite de sexta feira em um cliente na cidade do Rio de Janeiro, longe de casa, mais de uma semana, como na música.

Estávamos eu e um funcionário local, o grande Najan, que de cliente já havia se tornado amigo, tanto que viramos noites juntas no trabalho. De repente, desespero total. Na máquina em que eu trabalhava, um moderníssimo PC 386, não havia um leitor de disquetes de 5 ¼ de polegada. Era gravar um disquete e ganhávamos a liberdade, eu para voltar para casa e encontrar a família e ele direto para a praia ou algum outro merecido prazer da cidade maravilhosa.

_ Deixa comigo, diz o Najan! Vou desmontar a unidade daquela máquina ali e trazer para cá, apontando para um equipamento modelo XT de marca que prefiro não dizer, já velho e perto da aposentadoria.

Caixa de ferramentas em punho, eu de cá animado e compilando os programas para gravar e mandar para a produção, ele de lá começa a desmontagem. E é aí que você vai entender um pouco de design ecológico. Vinte minutos depois, saio correndo da minha cadeira para segurar o Najan. Ele, martelo de borracha na mão e desespero nos olhos estufados, dava pancadas, de leve é verdade, na velha máquina e dizia:

_ Um pai… Uma pancada… Paga escola a vida inteira… Outra pancada… Para um filho! Se sacrifica! Mais uma pancada… Prá ele projetar uma porcaria dessa. Pancada final.

Na mesa jaziam todas as peças do computador, totalmente desmontado para permitir a remoção de uma simples unidade de disco. Desnecessário dizer que o dia amanheceu antes que a gente terminasse todo o serviço e a devolvêssemos a seu jazigo eterno no seio daquele velho XT.

Se você olhar em volta na sua empresa e perceber que desmontar todos os equipamentos que estão lá vai ser complicado assim, passo o telefone do velho amigo Najan. Talvez ele ainda tenha o bom e velho martelo de borracha.

 

TECH NOTES

 

Conheça um pouco mais sobre Eco Design:  
  1. 1.      Universidade de São Carlos. Clique aqui!
  1. 2.      Um dia feito de vidro. Clique aqui!
  1. 3.      Uma ONG dedicada ao Eco Design. Clique aqui!
         

 

Uma Cadeia de Valor

Unindo as pontas soltas dos resíduos Sólidos Eletroeletrônicos

Roberto Francisco de Souza

A questão do reprocessamento dos resíduos sólidos eletroeletrônicos há muito tempo já se tornou caso de cadeia. Não me entenda mal, leitor. Não é que eu queira prender alguém para obrigar que as coisas comecem mesmo a acontecer. O caso aqui é outro.

Iniciativas aqui e ali já surgiram no Brasil há mais de dez anos e cada uma delas, seja do setor público ou da iniciativa privada, merece seu crédito, é fato, mas as pontas do novelo estão soltas.

Em contato com organizações internacionais de renome como o instituto suíço EMPA, aprendi que outros países não estão mais avançados que nós por uma questão de tecnologia, mas de vontade. Nós já sabemos fazer cada uma das fases do processamento dos resíduos, podemos depender de investimento para adquirir equipamentos, mas há um mercado crescente e, com mercado, esses assuntos se resolvem. Na verdade, outras três questões são mais urgentes.

A primeira, do qual já tratei em outro artigo, é a questão da escala. Nenhuma cadeia de valor vai funcionar bem se as políticas públicas não exigirem e se a iniciativa privada não propiciar volumes significativos de resíduos a serem tratados e de forma concentrada. É colocar em prática a logística reversa determinada pela Lei Federal 12.305 de 2010 que trata destes resíduos sólidos.

A segunda questão é a união das tais pontas soltas, isto é, garantir que os geradores de resíduos se conectem a quem pode fazer a descaracterização dos equipamentos. E essa responsabilidade é da indústria que já descobriu que esse processamento final,é um novo jeito de fazer “ mineração” mais interessante que a tradicional. Tudo isso precisa ser feito de forma contínua porque, se um parar, todos param.

Garantidos estes procedimentos, precisamos estar certos de que tudo está sendo feito de forma correta. E essa é a terceira questão: a certificação da cadeia. Se estudos demonstram que os brasileiros prestam cada vez mais atenção ao consumo sustentável, alguém terá que dizer a eles que, no item dos eletroeletrônicos, a empresa Fulana merece mais crédito que a Sicrana porque seus produtos não agridem, de verdade, o meio ambiente. Isso vale para as empresas que fabricam tecnologias da informação tanto quanto para as que as consomem em seus processos produtivos.

Passei os últimos oito anos esperando que um órgão com esta função fizesse o favor de se apresentar ao mercado de forma efetiva. Percebi que nem sempre certificados ambientais obtidos por organizações fiscalizam a destinação correta dos resíduos sólidos eletroeletrônicos.

Sem querer esperar mais por alguém que se ponha primeiro em marcha, avanço trabalhando para que as certificações cheguem de fato ao Brasil, respeitadas e remuneradas, para garantir uma cadeia de valores que funcione e que, sobretudo, não exclua as populações que já prestam grande serviço ao país, como as cooperativas de catadores.

Precisamos fazer isso antes que o assunto se torne, de verdade, um caso de cadeia, mas cadeia de polícia.

TECH NOTES

Conheça iniciativas para certificação de cadeias de valor em Resíduos Sólidos Eletroeletrônicos: 1. EMPA, Suiça: Clique aqui! 2. RIOS: Clique aqui! 3. R2 and e-stewards: Clique aqui!

Top Trends Sustentáveis

As causas sustentáveis precisam estar sintonizadas com o fenômeno das redes sociais

Num mundo da comunicação em tempo real, leia-se twitter, facebook e outros bichos semelhantes, é difícil saber onde nasce o grande furo. Furo é o nome que se dava a uma notícia divulgada em primeira mão sobre um tema de grande interesse. Quando acontecia, jornais vendiam até não mais poder, segundas edições eram impressas às pressas e jornalistas tinham o seu momento de glória.

É certo que ainda há furos, mas seus irmãos mais novos são agora chamados de TOP TRENDS no twitter, nascem do pó e ao pó retornam. Aquela menina que estava no Canadá e que você já esqueceu o nome, faço o favor de te lembrar, chamava-se Luiza e isso só tem dois meses, se tanto.

Coisa de três semanas atrás, aconteceu de novo, outro recorde foi batido e a campanha KONY 2012 virou um fenômeno mundial para extirpar a praga do guerrilheiro Kony de terras africanas.

Eu fiquei sabendo pela TV, no jornal do final da noite anunciando com pompa e circunstância o fato e emprestando a ele toda a sua credibilidade. Digo emprestando porque menos de sete dias depois, em outro programa da mesma emissora, a campanha era devidamente defenestrada e a Invisible Children, a ONG que o criou, massacrada com direito a diretor endoidando e correndo pelado nas ruas de sua cidade natal.

Polêmica à parte, discuto o fenômeno da web como instrumento de comunicação em tempo real. Os bons jornalistas conhecem os sinais de um grande furo, sentem seu cheiro. Já os TOP TRENDS são mais ariscos, acontecem quase sempre do nada, surgem de onde menos se espera e planejá-los não é tarefa para fracos, mas para profissionais que ainda estão em formação, tentando construir regras onde regras não existem, se é que existirão.

Nunca fiz nem faço parte da Invisible, mas quem visitar seu site vai descobrir que um de seus propósitos é fazer barulho em nome das causas sustentáveis ou, trocando em miúdos, ações de marketing, inclusive digital. Se for isso, pelo menos no caso do Kony, conseguiram virar o assunto do dia.

As causas da sustentabilidade nunca puderam prescindir de ações bombásticas de marketing e nisso foi professora a Greenpeace, mas agora a internet mudou o jogo. Um pouco de inteligência, muita sorte e um bom apoio de outras mídias e olha você subindo como um foguete para o topo da lista no twitter, por pouco que seja o tempo.

Pessoas perseguem isso! Empresas perseguem isso! Ongs perseguem isso! Para nenhuma delas é uma questão de serem mais ou menos sérias. Vivemos num tempo em que tem que ser feito ou morremos.

Antigamente jornais, rádios e principalmente a TV determinavam o que fazia ou não fazia barulho. Os programas de domingo decidiam o que todos iam comentar na segunda feira e, em boa medida, a opinião da maioria. Tudo agora mudou. Acontece na internet e os comandantes da notícia, sentados em seus cockpits de monitoração da opinião da rede estão de olho para ecoar o que todo mundo está dizendo. Seguem, boa parte do tempo. Não são mais seguidos!

Para o bem e para o mal, o jogo já começou e quem defende causas sustentáveis precisa jogá-lo ou assistir a banda passar, domingo à noite, deitado confortavelmente e comendo pipoca. Façam suas apostas.

TECH NOTES Conheça mais sobre o assunto: 1. O que foi a campanha KONY 2012! Clique aqui! 2. Um pouco sobre a Invisible Children! Clique aqui! 3. Conheça uma ONG que faz movimentos em redes sociais para sustentabilidade! Clique aqui!

A nossa parte

Estou cansado! Estou cansado e reconheço que declarar meu cansaço deve cansar o leitor. Mas meu cansaço não é físico, é impaciência e se minha impaciência será com o leitor, é caso para nossa reflexão, enquanto escrevo.

Estou cansado de explicar em tantos fóruns para os quais sou convidado o que é ser sustentável de verdade e, força de minha militância no meio da tecnologia da informação, o que é uma TI genuinamente sustentável.

Já expliquei o conceito de muitas maneiras, algumas mais polidas que outras, algumas mais urgentes que outras. De tanto explicar, comecei a dizer que uma TI sustentável, de verdade mesmo, é aquela que tem atitude.

Em defesa de meus irmãos da tecnologia, tenho a dizer que não há setor da economia em que esta definição não se aplique, que não somos os únicos a nos demorarmos em iniciativas de proteção do meio ambiente que independam do estado ou das leis, mas que reconheçam que toda a traquitana que as empresas usam, qualquer coisa que tiver um chip sequer nas suas entranhas ou se alimente vorazmente de linhas de código, precisa ser reciclado.

Mas não se anime logo quem pensar que não sendo os únicos, não existam exemplos, inclusive no Brasil. Completamos agora oito anos desde que a Sucesu Minas, em parceria com o Comitê para a Democratização da Informática, CDI, criou o projeto Fábrica de Cidadania, inaugurando de forma pioneira no Estado a atitude para dois dos três Rs que compõem a base de nossa atitude, Reutilizar e Reciclar, enquanto Reduzir, numa sociedade que só faz consumir tecnologia mais e mais, é ainda uma incógnita.

Foi um tempo de espera e paciência, um tempo em que o que mais fizemos foi explicar que não se doa mais equipamentos e muito menos se cobra valores residuais por eles quando os destinamos à descaracterização para a proteção do meio ambiente. Cobrar pela logística? Nem pensar!

De uma forma ou de outra, com lei ou sem ela, fazemos parte da cadeia de responsabilidade que garantirá que nosso imenso avanço em tecnologia não acabe por se tornar nosso túmulo.

Então estou cansado e tenho pressa.

Para cada um dos que usam a tecnologia, para cada qual que vende tecnologia, resta-nos tomar a dianteira e entender a nossa parte na tarefa de proteger o planeta. Nessa cadeia de proteção há governo, há as populações de rua e os catadores, ávidos por encontrarem um novo e rentável negócio que melhor os sustente, há as organizações não governamentais, cansadas como eu de pregar a urgência de agirmos e há aqueles que, em meu entender, podem mudar o rumo desta toada e produzir mais resultados em menos tempo: somos nós, os usuários!

Grandes ou pequenos, somos nós que podemos exigir atitude de quem produz tecnologia e garantir aquilo que mais nos falta para que o novo e lucrativo negócio da reciclagem prospere: a escala. Sem ela, só os grandes recicladores resistirão. Sem ela, as populações de rua e os catadores, atores de primeira hora neste palco, ficarão de fora, sem acesso ao lixo tecnológico que é sua verdadeira matéria prima.

Não faz diferença dizer que já temos uma lei de resíduos sólidos, inclusive eletroeletrônicos, ou que, tendo a lei, esperamos a sua regulamentação. Nenhuma justificativa será suficiente para explicarmos ao Planeta que algum tipo de burocracia nos está impedindo de protegê-lo de nossa própria tecnologia ou ainda a estas populações que, sentimos muito, mas chegaram tarde, alguma empresa forte e poderosa se moveu mais rápido e pulou na frente para garantir para si próprio a parte do leão, a imensidão de resíduos que, dispostos de forma desorganizada, não valem quase nada.

Não são eles que estão atrasados. Somos nós e já é hora de fazermos a nossa parte: nos unirmos e garantir-lhes o futuro: dos catadores, do planeta, dos meus filhos, dos seus filhos e que quem mais queiramos incluir nessa lista tão urgente que eu já estou cansado de tanto refazer.

O bom senso é sustentável

Nós não desejamos somente produtos e serviços sustentáveis.

Queremos ser sustentáveis enquanto os produzimos.

 

Desde que ser sustentável virou moda, grandes empresas foram para a mídia dizer que não agridem o meio ambiente, que respeitam o trabalho infantil, que tratam seus clientes com ética.

Nessa eleição de Miss Universo da sustentabilidade, em que empresas sustentáveis de primeira hora se misturam a oportunistas, só agora começamos a prestar atenção à gestão sustentável dos negócios. Muito timidamente paramos de verificar só os resultados de cada organização e começamos a olhar para suas práticas internas de gestão, a energia que gastam gerindo pessoas e recursos e não só consumindo insumos para entregar bens e serviços.

Para a maioria, práticas de Gestão de Projetos e de Processos e o uso intensivo da tecnologia são por natureza sustentáveis, trazem em seu genoma uma determinação genética que tornam as empresas que as implementam exemplos nessa matéria.

Não sou contra o PMBOK ou o CBOK, livros de ouro da gestão de projetos e da gestão de processos, mas sempre que vejo alguém falar deles e de suas certificações como passagens compradas a peso de ouro para a era da gestão sustentável de negócios, fico com a sensação de que estamos criando dificuldades para vender facilidades.

Tornar-se especialista no assunto não fica assim tão complicado. Munido do firme propósito em obter estas certificações, de muitas horas de esforço e estudo, de alguns milhares de reais, você acaba conseguindo. Pode ir que eu to te vendo!

Mas gerir negócios de forma sustentável é mais que isso, ou será que é menos? Explico. Todos os dias minha empresa vive de gerir projetos. Todos os dias vive de rever processos para si e para seus clientes. Todos os dias vive de escolher e aplicar tecnologias. Em todos esses anos ainda não vi nenhuma metodologia que substitua três coisas básicas: fazer o simples, fazer o simples em grupo, fazer o simples com bom senso.

Faz tempo que deixei a academia como professor, mas quando recebo um novo trainee eu fico procurando nele bom senso. Já me perguntei muitas vezes se ensinam isso na escola, se ensinam a fazer as coisas de forma simples, sem transformar a vida de todo mundo na empresa num inferno insustentável de processos e projetos, sem que ninguém saiba, de verdade, qual deles nasceu primeiro. Todos nós corremos este risco, eu inclusive.

Ouvi numa palestra sobre processos que Competência é a soma de conhecimento técnico,  habilidade para repassar conhecimento, atitude e valores éticos, tudo isso sendo chamado de experiência. Fico me perguntando como é que se certifica isso. Fico me perguntando como é que se garante que, com esta certificação, o cara-trainee-certificado vai transformar sua empresa e orientá-la a processos que sejam sustentáveis. Fico me perguntando como é que se garante que a tecnologia vai ser usada de forma a nos levar de maneira mais leve e, porque não, lucrativa, a produtos e serviços sustentáveis na ponta.

Para mim a resposta é simples: é só prestar atenção na natureza porque ela sabe. Ela tem bilhões de anos em vivência de fazer as coisas de forma simples, bela e lucrativa e sabe até se recuperar de crises, se a gente deixar. Ela só não tem nenhuma certificação.

TECH NOTES

1. Prá quem acha que os transformers são coisa de cinema… 2. Esqueceu de carregar o celular? Deixo-o sobre a mesa. 3. Doutor: os computadores não saem da minha cabeça!

Educar pela via do afeto

“O nascimento do pensamento é igual ao nascimento de uma criança: tudo começa com um ato de amor. Uma semente há de ser depositada no ventre vazio. E a semente do pensamento é o sonho.” (Por Rubem Alves)

Para que serve a informação se não soubermos pensar sobre ela (estabelecer relações)? Como educadora não acredito que televisão e computadores possam por si só educar nossas crianças e jovens. Na minha opinião, para que haja conhecimento e que este evolua para um verdadeiro “saber” é preciso que se estabeleça uma relação humana. Apenas o homem pode conduzir o homem ao crescimento.

A educação, o aprender se dá na relação afetiva que professor e aluno estabelecem diariamente, não é piegas, e sim um vínculo entre seres humanos. É uma relação de afeto no contexto da educação (eu-tu-informação). O que passa pelo Coração fica guardado na memória, disse Adélia Prado.

Nós, educadores, precisamos ensinar nossos alunos a olhar para o seu entorno social. É necessário fazer com que os jovens desenvolvam o amor, a solidariedade e principalmente a tolerância com as diferenças.

Ensinar-aprender na minha concepção se dá através do toque, do olhar e, sobretudo, na lentidão diária da relação professor-aluno. Vários estudiosos afirmam que a principal “doença” do século é a solidão, e cabe a nós educadores tentarmos reverter este quadro. Através do ato amoroso que consiste em querer que alguém nos entenda, nos ouça e nos veja, isso é que chamo de relação afetiva, é o famoso olho no olho, o que já não é possível ocorrer quando se passa cinco horas (ou até mais) diante de um computador. O que representa o Orkut hoje na vida das pessoas? Nada mais do que um jeito novo de se relacionar e conversar com o outro. Na adolescência, muitas vezes o amigo é uma extensão de si mesmo.

Alguns de vocês já pararam para analisar a nova linguagem dos jovens, principalmente a que ocorre via computador? Eles falam e escrevem para alguém? Onde está o Sujeito dessas conversas? Ele realmente aparece ali? Ou é uma nova forma de não se expor? Uma forma de falar…falar… e não falar nada?

A informação é muito bem vinda, o acesso rápido é ótimo, desde que eles passem por uma reflexão, caso contrário, corre-se o risco de reduzir o homem à condição de objeto. A relação humana é o que existe de mais bonito, só que se relacionar dá trabalho, ela é construída no dia a dia, passo a passo, e não tem como ser diferente. É preciso tempo e investimento, construção e desconstrução.

Eu sugiro a cada um de vocês que parem o que estão fazendo e se perguntem: Como andam as minhas relações? Pais, marido, esposa, filhos, alunos? Enfim, como eu ando comigo mesmo?

É preciso fertilizar o campo do afeto, olhar para o lado e ver as pessoas que nos cercam, elogiar nossas crianças e jovens, admirá-los, pois o afeto precisa ser adubado e regado diariamente. Educar com afeto é investir no desenvolvimento de uma nova geração. De nada servirá a rapidez das informações se não houver uma evolução do pensar criticamente e do refletir sobre nossa existência. Quem sou EU?.

Por Jane Patricia Haddad *

*Jane Patricia Haddad é pedagoga, com especialização em Psicopedagogia, Docência do Ensino Superior e Psicanálise. Atuou por mais de 20 anos em escolas como professora, coordenadora pedagógica e diretora, é consultora institucional e conferencista. Autora dos livros: “Educação e Psicanálise: Vazio existencial” e “O Que Quer a Escola: Novos Olhares resultam em Outras Práticas”, ambos publicados pela editora Wak, do Rio de Janeiro. Atualmente cursa o Mestrado em Educação na Universidade Tuiuti no Paraná , onde seu tema de pesquisa é a Indisciplina Escolar.

A Empresa sem Papel

 A empresa sem papel não é só questão de ambiente sustentável, 

Mas de processos essenciais e sustentáveis.

Vinte anos atrás conduzi uma campanha publicitária com spots de rádio que provocavam o ouvinte: “Os computadores vão comer os lucros da sua empresa, ou do seu concorrente. A escolha é sua”.

Pois foram estes vinte anos passados e, como sapos que morrem tranquilos em água lentamente aquecida, muitos viram a profecia se cumprir. As tais máquinas ocuparam espaços impensáveis, de pequenas biroscas até bancos sem agência, criaram e destruíram mercados e muitos de nós estivemos de um lado ou de outro, ganhando ou perdendo nossas margens.

Estamos sentados à beira de um caminho, vendo o mundo se transformar e esperando o momento de nos levantarmos com nossas empresas e voltarmos para o tráfego da transformação dos negócios. E que transformação! Tanta que não sabemos dizer se há um fim para esta rodovia de mudanças.

Empresários me procuram e dizem que avançaram muito, mas que, por dentro, pão bolorento, suas empresas ainda se afogam em papel, sem que os clientes, porta afora, percebam vestígio dele. É cada vez gastar mais e consumir mais esforço para manter o mesmo nível de serviço na ponta e terminar por ver um concorrente surgir e crescer debaixo de seus narizes.

Falta-lhes perceber o óbvio: não estão afogados em relatórios, emails impressos, desenhos, imagens, cadernos de jornais tradicionais, informação de toda ordem posta em formatos A4. O que os angustia são processos que não são essenciais, sendo papéis sua face mais perceptível e aterrorizante.

E o que são processos essenciais? Sem definições acadêmicas: procure o cliente na ponta do processo ou muito próximo dela. Se ele não estiver lá, então o tal processo é candidatíssimo a ser descartado, tornando sua empresa mais leve, mais focada, com mais resultados e, frequentemente, com mais qualidade de vida. Resumo da ópera: acabar com processos espúrios é acabar com papel!

O leitor ambientalista pode agora dormir em paz e comemorar? Digo que não, porque o papel de que falo não é só papel feito de celulose, mas também papel eletrônico, feito de bytes. Ele existe na forma de emails, imagens e projetos “para”, “em cópia” e “cópia oculta” e, convenhamos, é muita cópia e bytes são ariscos prá se perseguir e rasgar!

É aí que a Empresa Essencial tem tudo a ver com inovação porque o que fazemos de verdade, é descobrir ou inventar meios novos e mais simples de se cumprir a missão das organizações e porque a maneira mais fácil de se resolver um problema é não ter o problema. Parece óbvio, mas boa parte da tecnologia da informação nas organizações resolve problemas que nem precisavam existir e isso é jogar dinheiro fora.

Vinte anos depois eu ainda me lembro daquela campanha de rádio e de alguns de nossos concorrentes que nos deliciaram, ligando para nossos gerentes com xingamentos e desespero, diante de clientes que queriam pensar mais antes de fechar contratos. Num mundo de tablets, de gente conectada “todotempo”, eu ainda continuo a dizer que os computadores vão comer os lucros da sua empresa ou do seu concorrente e que o papel, eletrônico ou não, ainda pode te matar afogado. Tanto num caso quanto noutro, a escolha, sinto muito, continua a ser é sua.

TECH NOTES

1. O papel eletrônico é possível e vai mudar as mídias. Saiba como em

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=010110050714

2. Você sabe o que é um ultrabook? Descubra em

http://www.baboo.com.br/conteudo/modelos/Intel-anuncia-o-Ultrabook_a41924_z396.aspx

3. E aí? Holografia é prá valer? Tire a prova em

http://www.techzine.com.br/arquivo/display-holografico-de-360-graus/